5 razões pelas quais brincar com a comida pode expandir o cardápio do seu filho

setembro 26, 2015

Você, assim como eu, pode ter crescido em um ambiente em que “brincar com alimentos” não era permitido… Quando comecei a trabalhar com crianças com desafios alimentares, tive que rever essa “crença” que ainda era bem forte em mim.

Brincar com alimentos pode e deve ser incentivado, sim! Brincar é a linguagem que atinge as crianças! Por isso, é um recurso terapêutico que utilizo durante as sessões com as crianças e estimulo que participem de oficinas que envolvem brincar com alimentos, como as que oferecemos aqui no Instituto de Desenvolvimento Infantil (Veja como foi legal nossa última oficina!)

Um grande abraço e aproveite as dicas!

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Fonoaudióloga Dra. Patrícia Junqueira | CRFa. 5567

5 razões pelas quais brincar com a comida pode expandir o cardápio do seu filho

Todos nós já ouvimos o mantra “Não brinque com a comida!” Mas ao contrário do que diz a crença popular, brincar com a comida pode ser a um jeito maravilhoso das crianças descobrirem e aprenderem sobre novos alimentos. Mas porque?

1. Experimentar um novo alimento pode ser algo estressante, particularmente para crianças com dificuldades sensoriais e/ou aversão a alimentos.

Se você introduz um alimento através de uma brincadeira, você está tirando a pressão e ansiedade de ter que comê-lo;

2. Brincar com a comida faz com que as crianças possam deixar o garfo de lado, por um momento.

O alimento nunca deve ser forçado, então você pode usar o brincar como uma estratégia pré-alimentação para fazer a criança interagir com alimentos que ela normalmente não aceitaria e estabelecer familiaridade sem confronto;

3. Lembre-se: crianças aprendem brincando!

Alimentação não é exceção, então, deixe-os aprender sobre os alimentos na linguagem que eles conhecem melhor. Deixe-os sentir os alimentos, cheirá-los, mergulhar num “ mar de espaguete” ou marchar com seus bonequinhos por uma “floresta de brócolis”;

4. O paladar e o olfato estão intimamente ligados quando comemos.

Deixar a criança se acostumar com o cheiro de um alimento antes de comê-lo já é um primeiro passo ao eliminar o “desconhecido” antes de dar uma mordida.

5. Brincar com o alimento também ajuda a desenvolver a conexão mão – boca, que nós temos.

Pegar o alimento com as mãos e levá-los à boca começa ao redor dos 8 meses de idade como o primeiro passo em direção à independência na alimentação, e a partir daí continuamos a usar nossas mãos para nos alimentarmos. Tanto nossa mão quanto nossa boca são órgãos sensoriais e altamente perceptivos em relação a texturas. Assim, manipular os alimentos pode dessensibilizar a criança para alimentos diferentes e encorajá-los a experimenta -los.

Há infinitas idéias de brincadeiras com alimentos, desde brincar com a comida no prato até participar de atividades com alimentos em um cenário não relacionado com a alimentação:

– faça carimbos com maçãs cortadas, batatas, etc;
– deixe que as crianças cozinhem/preparem os alimentos com você;
– corte os alimentos em formatos diferentes;
– faça rostinhos usando marshmallows, vegetais, etc…
– faça castelos de farinha de milho ou minhocas de gelatina;
– use alimentos como peças de jogos de tabuleiro, , etc.
– faça escavações procurando por dinossauros num pote de iogurte ”;

Seja criativo, divirta-se e não tenha medo de fazer bagunça!

Para crianças com aversão severa a alimentos e defensividade oral, lembre-se que você deve ir passo-a-passo até brincar com alimentos de verdade. Comece com brincadeiras sensoriais com outras coisas (não alimentos). Introduza alimentos de brinquedo para que a criança interaja com eles, vá devagar até incluir alimentos de verdade em brincadeiras sensoriais. Às vezes o simples fato de ter um alimento por perto pode ser um progresso. Uma hora você vai conseguir levar os alimentos à mesa. Não é necessário que eles toquem – é suficiente que o alimento “esteja lá”. Na hora certa eles vão tocar e brincar com eles, com o objetivo final de dar uma mordida. Lembre-se que a terapia alimentar pode ser um longo processo. Tenha paciência e celebre cada passo dado!

Texto adaptado, publicado originalmente aqui.

 

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