5 regras de ouro para a alimentação infantil

novembro 08, 2015

Quando comecei a estudar mais profundamente as dificuldades alimentares infantis, meu foco ainda era a “boca” dos meus pacientes. Lembro quando cheguei a primeira vez aos EUA para participar do primeiro workshop… Perguntei para minha mestra qual seria o melhor exercício para trabalhar a mastigação de crianças com dificuldades nessa função. A resposta, na hora, me deixou meio fora do ar… “ A boca, os exercícios, são o menos importante”… Amplie o foco da sua lente e aprenda que a boca é o menos importante… Na hora pensei: Como assim? O que eu vou “fazer” com meus pacientes que não comem, não mastigam?

E foi na prática, ampliando o foco da minha lente que percebi quais seriam os pontos que realmente fariam a diferença no atendimento às crianças com desafios alimentares.

São essas as 5 regras de ouro que fui aprendendo com meu amadurecimento pessoal, profissional e espiritual que compartilho com você hoje:
1. Crie um ambiente de tranquilidade e harmonia mental para você e sua família

O ambiente em que as famílias realizam a refeição pode aumentar ou diminuir o desejo de se alimentarem. Quando os adultos pensam sobre a criação de um ambiente positivo antes de começarem a refeição, esse momento se torna mais agradável para todos; isso porque eles se tornam mais confiantes e menos estressados, fornecendo alimento ao invés de pressão/estresse. Com isso, as crianças são capazes de aprender mais facilmente a se alimentarem e se desenvolverem nesse momento.

Utilize músicas calmas e tranquilas no momento da refeição. Crie um ambiente de tranquilidade e harmonia mental para você e toda sua família.

2. Mantenha atitudes e sentimentos positivos

A atitude do cuidador desempenha um papel essencial no comportamento alimentar da criança. Na hora das refeições, quando os adultos têm a intenção de estarem presentes, amorosamente, sem julgamentos e com sentimentos positivos e de gratidão, eles se tornam mais receptivos aos sinais de comunicação da criança, tornando-se parceiros e colaborando para o processo de alimentação.

Por outro lado, quando os pais vão alimentar seus filhos com sentimentos de medo, ansiedade, ou achando (algumas vezes com a certeza!) de que eles não comerão ou que não irão apreciar, isso poderá desencadear reações emocionais negativas na criança, alterando seu comportamento. Identifique os seus sentimentos e suas atitudes antes do momento da refeição com seu filho. Você pode realizar um pequeno relaxamento e/ou uma mentalização positiva.

3. Propicie um espaço físico favorável

As características físicas e sensoriais do local selecionado para a refeição desempenham um papel importante no conforto da criança. Quando esse espaço corresponde às necessidades da criança, as refeições tornam-se mais confortáveis e bem sucedidas.

O uso do cadeirão ou cadeira adaptada à idade da criança favorece uma postura que facilita sua alimentação. Evite alimentar a criança deitada, no colo, no sofá, ou andando pela casa.

Evite uso de distrações como tablets, brinquedos, televisão etc. no momento de alimentar seu filho. Para algumas crianças excesso de estímulos (visuais, sonoros etc.) ambientais podem competir com seu desejo por comer.

4. Ofereça alimentos adequados às necessidades e possibilidades do seu filho

O alimento desempenha um papel essencial na atitude da criança frente à refeição. Os alimentos devem ser oferecidos atendendo às necessidades nutricionais, sensoriais, sensório-motoras e emocionais da criança.

Identifique as características sensoriais dos alimentos que mais agradam a criança. Se pudermos oferecer alimentos com texturas, sabores, odores e aparência que a criança aprecia isso facilitará o processo de aprendizagem alimentar e aumentará muito o interesse pelos alimentos.

Muitos pais relatam ainda um maior nível de envolvimento pessoal ao alimentar seu filho com uma receita ou preparação que eles mesmos criaram e/ou prepararam.

Todos esses aspectos contribuem para a nutrição como um todo, proporcionando um momento de refeição confortável e interativo.

5. Respeite os sinais de comunicação do seu filho e a divisão de responsabilidades

Todas as crianças são capazes de comunicar o que está acontecendo com elas no momento da refeição. Elas podem se expressar de diversas maneiras: pelo movimento do corpo, pela fala, ou ainda com sinais de mudança de comportamento.
Cabe ao cuidador, aprender e identificar os sinais de comunicação da criança e responder de uma maneira que respeite e corresponda as suas mensagens. Fique muito atento aos sinais expressados pelo seu filho quando for alimentá-lo.

Compreenda e realize o conceito de Divisão de Responsabilidades no momento das refeições. Aos pais cabe decidir quais alimentos serão oferecidos, quando e onde serão realizadas as refeições. Aos filhos cabe a decisão de quanto irão comer.

Que você também possa ampliar o foco da sua lente durante a refeição dos seus filhos!

foto_patricia_junqueira1

Fonoaudióloga Dra. Patrícia Junqueira | CRFa. 5567

Facebooktwittergoogle_pluspinterestlinkedinmail
Leave a reply
Próxima Oficina de Histórias: contar, ouvir e brincar | 10 novembro 2015Especialista explica quando e porque deixar de oferecer chupeta e mamadeira ao seu filho
All comments (8)
  • Eleni
    08/11/2015 at 11:05 pm

    Parabéns pela explicação simples e, ao mesmo tempo, explícita.

    Reply
  • Cinthya Elisiario
    04/12/2015 at 11:44 am

    Prefeito! Identifiquei meu filho !gostaria de marcar uma consulta

    Reply
    • Olá Cinthya! Agradecemos seu contato. Informamos que nossas consultas são agendadas por telefone. 11- 3044-1131. Permanecemos à disposição! abraço, Patrícia

      Reply
      • Cinthya Elisiario
        @Patrícia Junqueira
        22/12/2015 at 11:10 pm

        Você indica algum profissional no Nordeste (PB ou PE) que trabalhe com recusa alimentar? seguindo sua mesma linha terapêutica?

        Reply
        • Olá Cinthya! Obrigada por seu contato! Infelizmente não conheço profissional nessa região. A abordagem que utilizo ainda é muito recente aqui no Brasil e estou começando […] Read MoreOlá Cinthya! Obrigada por seu contato! Infelizmente não conheço profissional nessa região. A abordagem que utilizo ainda é muito recente aqui no Brasil e estou começando a capacitar novos profissionais. Assim que tiver algum profissional na sua região eu te informo. Abraço fraterno, Patrícia Read Less

          Reply
  • Flávia Maia
    18/02/2016 at 3:06 pm

    Gostaria de saber como poderiam ajudar alguém que mora na região norte e sofre com seletividade alimentar. Há necessidade de morar em SP para ser […] Read MoreGostaria de saber como poderiam ajudar alguém que mora na região norte e sofre com seletividade alimentar. Há necessidade de morar em SP para ser acompanhada por vocês? Read Less

    Reply
    • Patrícia Junqueira
      @Flávia Maia
      19/02/2016 at 4:23 pm

      Olá Flávia! Obrigada por seu contato. Infelizmente não temos contato de profissionais nessa região para indicar que atue com seletividade alimentar.

      Reply

Leave Your Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *