7 dicas para a refeição das crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA)

dezembro 05, 2015

Imagine uma criança com uma aceitação alimentar muito restrita até os 8 anos de idade se tornar um chefe de cozinha! Foi isso mesmo que aconteceu com Chace Bailey, um menino que foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista aos 2 anos de idade e por muito tempo só comia pizza, frango, batata frita e cookies (reportagem completa aqui). Mas, para que isso acontecesse, um incentivo veio de onde ninguém podia imaginar… Ele começou a assistir programas de culinária com seu avô e ver as pessoas apreciando a comida que estavam fazendo. Esse fato o incentivou a se interessar por preparar e provar as receitas que aprendia na TV.

Dois anos depois, assistindo aos episódios sobre como fazer novas receitas com os alimentos, ele mesmo disse para a mãe que queria ter um programa de culinária! Incrível! Sua mãe acreditou nele e o ajudou com todo o suporte e apoio para que realizasse seu sonho… Hoje Chace tem um Canal no You Tube onde faz suas próprias receitas!

Pensando nessa história tão inspiradora, aqui estão 7 dicas para ajudar as crianças que, como Chace apresentam desafios com a alimentação, associadas ao TEA:
1. Utilize múltiplas oportunidades de exposição de alimentos

Normalmente, crianças em desenvolvimento podem precisar de várias exposições a um novo alimento (talvez de 10 a 12), antes que ele se torne familiar a ela. Crianças com transtorno do espectro autista podem precisar de bem mais exposições do que isso. Quando estas crianças estão com medo de novos alimentos, podemos incorporar muitas variações sobre a nova comida em atividades diárias, sem exigir que eles, na verdade, o aceitem para comer. Gradativamente, elas podem tornar-se bastante familiarizadas com o alimento para tentar come-lo.

2. Ofereça novamente alimentos que tiverem sido rejeitados

Muitas vezes, oferecemos para a criança um novo alimento e esse é imediatamente rejeitado. Geralmente os pais retiram esse alimento da “lista” de alimentos a serem ofertados, porque estão à procura de refeições em harmonia e principalmente em busca de algo que a criança aceite para que possa “comer em paz”.
Mas, se os pais forem retirando da lista todos os alimentos que a criança rejeitar, isso irá limitar as opções a cada dia, resultando na oferta de um cardápio com muito poucos alimentos.

3. Envolva a criança em atividade com as refeições

Considere envolver a criança, de acordo com a idade dela, em atividades nos horário das refeições, em que ela possa participar ativamente com com toda a rotina das refeições. Planejar menus, ajudando a selecionar, comprar e preparar alimentos. Pôr a mesa, servir os alimentos e ajudar a retirar a louça, são todas atividades das refeições que dão à criança a oportunidade de estar perto de alimentos sem a pressão para comer.

As experiências podem começar com interações não-alimentares, como escolher fotos de comida em uma revista ou brincar com alimentos de plástico e/ou madeira. Interações não-alimentares também podem incluir a preparação e a limpeza dos utensílios.

4. Permita que a criança brinque com os alimentos

Incorpore os alimentos às atividades lúdicas da criança. Os alimentos podem ser usados em brincadeiras, sendo por exemplo, a carga para caminhões basculantes ou trens. Bolas podem ser feitas com uvas ou tomates cerejas.

A comida pode ser usada para ensinar cores, formas e tamanhos, assim como para ensinar conceitos de matemática. Cortar massas pode ser usado com uma variedade de tipos de alimentos para fazer uma variedade de diferentes formas de pão, queijo, e mesmo alguns vegetais. Uvas verdes e roxas podem ser classificadas.

5. Faça arte com alimentos

Comida é um excelente meio para projetos de arte. As crianças podem fazer pintura a dedo ou pintar com pincéis com alimentos úmidos, como iogurte ou pudim. Eles podem usar migalhas coloridas para fazer uma imagem em uma página do livro de colorir. Algumas frutas e legumes podem ser usados como carimbo. Macarrão pode ser colocado em um papel para fazer um desenho.

6. Leve a criança para participar do preparo dos alimentos

As crianças podem ajudar na preparação de alimentos, incluindo a escolha e o preparo em si . Você pode pedir a ajuda da criança para agitar uma bebida, ou colocar cubos de gelo em um copo. A criança pode fornecer ajuda para fazer a salada, colocando os tomates ou salpicando sal. Pode ainda decorar uma pizza caseira. Aos poucos vá envolvendo-a na preparação de receitas simples, de acordo com a idade.
Preparar alimentos ajuda a criança a se acostumar com o cheiro, o toque, e talvez até mesmo o gosto!

7. Re-defina “Experimente”

Quando pedimos a alguém para “Experimentar” nós queremos dizer, “aqui tem um alimento, e eu espero que você goste!” Para a criança muito sensível ou neofóbica, dizer isso pode ser muito assustador. Necessitamos mudar essa palavra “experimente” para uma série de pequenos passos, mais realizáveis para as crianças do espectro.

Para algumas crianças, o sucesso pode ser apenas estar no mesmo ambiente que um novo alimento, ou aceita-lo no prato. Para outros, pode significar lambê-lo, mas não prová-lo. Há todo um conjunto de pequenos passos que podem ser divididos em etapas ainda menores para que as crianças possam caminhar até se sentirem confiantes com um novo alimento. Aqui são apenas algumas das opções para iniciar um relacionamento mais positivo com os alimentos.

Cada criança é diferente e sua relação com os alimentos tem sua própria lógica. Nós adultos não gostamos de todos os alimentos, e as crianças também não vão gostar de tudo o que a ofertarmos. Nós só queremos que elas se sintam mais confortáveis com mais alimentos, e aprendam estratégias para interagir com eles, de modo que possam comer o que eles gostam e apreciam. Isso leva tempo e depende de treinamento e suporte.

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Fonoaudióloga Dra. Patrícia Junqueira | CRFa. 5567

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Porque comer pode ser um desafio para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA)Parabéns, fonoaudiólogos!

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