9 erros mais comuns na introdução da alimentação complementar infantil

dezembro 12, 2015

Ter um filho que come de tudo e se alimenta de maneira saudável é o sonho de consumo de toda mãe, não é mesmo?
Porém, apesar de todo esforço e dedicação, o próprio ato de se alimentar e a formação de um hábito saudável são processos complexos e que podem ser influenciados por diversos fatores.

Na prática, o idealizado muitas vezes é utópico. E isto não é um problema. Quando falamos em alimentação equilibrada e saudável, não existem alimentos proibidos. Devemos buscar sempre o equilíbrio, nos preocupando sim com a quantidade e a frequência de consumo de certos produtos/preparações.

Abaixo estão alguns erros muito comuns que observamos na prática clínica durante a introdução da alimentação complementar, os quais podem ser corrigidos:
1. Adoçar frutas com açúcar ou mel

O paladar da criança naturalmente já prefere os alimentos doces. Portanto, adicionar estes itens às frutas é uma necessidade do adulto, uma vez que este alimento já possui um açúcar em sua composição (frutose). Ofertar alimentos adoçados em excesso pode “viciar” o paladar e prejudicar a aceitação de outros sabores/alimentos, além de predispor a problemas de saúde (obesidade, diabetes mellitus tipo 2, etc.). Importante destacar que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) alerta para a oferta de mel a crianças menores de 1 ano, devido ao risco de botulismo intestinal.

2. Engrossar o leite (farináceos/achocolatado)

Estes produtos também são ricos em açúcar, podendo causar os mesmos efeitos citados anteriormente. Porém, essa é uma atitude muito comum de observarmos na prática, principalmente com mães que possuem filhos com dificuldade de aceitação do leite puro. Como este é um alimento muito importante, principalmente na infância, caso a criança o recuse existem outras estratégias que podemos utilizar para estimular seu consumo e/ou suprir essa necessidade.

3. Bater a papa no liquidificador

A consistência da papa deve ser evoluída progressivamente, sempre respeitando o desenvolvimento da criança, mas deve ser evitada a consistência de papa líquida/batida. A criança deve ser estimulada desde cedo. Evoluir gradativamente a textura dos alimentos é o melhor caminho para alcançar a consistência final desejada.

4. Oferecer “sucos” de caixinha ou em pó

O consumo da fruta deve ser estimulado preferencialmente na forma in natura e a ingestão de suco deve restringir-se a 150 mL/dia (suco de fruta natural, sem coar). A maioria dos sucos industrializados é na verdade néctar ou refresco. Essas opções consistem em uma pequena fração de fruta adicionada de água e aditivos (corantes, aromatizantes, estabilizantes, espessantes, etc), entre eles o açúcar, o qual normalmente está presente em grande quantidade.

5. Adicionar sal em excesso ou temperos prontos à papinha

O sal, em excesso, pode trazer prejuízos à saúde como a hipertensão arterial, já presente no público infantil atualmente. Os alimentos já possuem sódio em sua composição naturalmente, sendo desnecessário o uso excessivo. Para conferir mais sabor às preparações abuse de temperos naturais e caldos caseiros (de carne, frango, peixe ou legumes).

6. Consumo de líquidos durante a refeição

A oferta de líquidos nas refeições deve ser evitada, pois causa uma distensão no estômago, podendo estimular uma saciedade precoce, porém que não se sustenta por muito tempo. Quando isso acontece, a criança deixa de comer a comida da refeição em questão e logo após já está com fome, prejudicando toda a rotina alimentar. O ideal é oferecer água a vontade nos intervalos entre as refeições, para que ela não sinta necessidade de ingerir líquidos na hora em que estiver comendo.

7. Não ler rótulos de produtos aparentemente mais “saudáveis”

Apesar de alguns produtos serem vendidos como mais “saudáveis”, estes muitas vezes possuem ingredientes que não são considerados saudáveis ou adequados do ponto de vista nutricional. Aprender a ler rótulos é fundamental para ter escolhas melhores e não cair em armadilhas.

8. Abusar de alimentos mais práticos

Esses alimentos (congelados, instantâneos, etc.) possuem elevado valor energético, porém baixo valor nutricional. Além de possuírem uma série de aditivos em sua composição (conservantes, estabilizantes, sal, açúcar, corantes, aromatizantes, etc). Manter hábitos saudáveis é um treino diário e existem diversas estratégias que podem auxiliar neste sentido como, por exemplo, a aquisição de refeições saudáveis congeladas, muito difundida no mercado atualmente.

Lembrando que o consumo destes alimentos não precisa necessariamente ser proibido, mas deve ocorrer de maneira bem esporádica, caso contrário prejudicará a nutrição e saúde da criança.

9. Não re-ofertar alimentos rejeitados

É normal que, durante a formação do hábito alimentar, a criança não aceite novos alimentos prontamente. Para que ela passe a aceitar a novidade, é necessário que ela experimente o mesmo alimento em torno de 8-10 vezes, mesmo que em quantidades muito pequenas e de maneiras diferentes (por exemplo a cenoura: cenoura crua e ralada, cenoura cozida em rodelas, bolo de cenoura, suflê de legumes, cenoura baby, bife à role com cenoura, picadinho ou carne de panela com cenoura, etc.). Só assim a criança conhecerá o sabor e estabelecerá o padrão de aceitação.

Lembre-se sempre que, assim como nós adultos,
os pequenos não são obrigados a gostar de todos os alimentos.

 

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Nutricionista Dyandra Loureiro | CRN 34980

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