A culpa não é da mãe! Comer é complexo, entenda porque

novembro 22, 2015

A grande maioria das mães de crianças com Dificuldade Alimentar se sente culpada pelo fato dos filhos não comerem. Definitivamente as mães não tem culpa. Esse sentimento muitas vezes é baseado na crença que temos que ser perfeitas. Mães perfeitas obviamente idealizam filhos perfeitos. Talvez por isso não encontremos nenhuma mãe sem culpa. Temos culpa por fazer, culpa por deixar de fazer, culpa por sentir….

Quando pensamos nas mães com filhos com desafios alimentares a primeira pergunta quase sempre é: Onde foi minha falha? O que fiz para dar “tudo errado”? Buscar as respostas no passado apenas aumenta nossa mágoa de que poderíamos ou de que teríamos feito algo diferente. O futuro nos atemoriza e gera uma enorme ansiedade, porque absolutamente não temos como prevê-lo.

O que tenho realizado nos grupos com essas mães e nas sessões individuais é ajudá-las a focar no presente. Fazendo-as perceber que nem sempre teremos todas as respostas que gostaríamos para nossas perguntas.

O que elas não sabem é que comer é complexo! E muito mais amplo do que qualquer um de nós possa imaginar, veja essas estatísticas:

Dificuldades alimentares afetam
 – até 40% de crianças com desenvolvimento normal (Linscheid et al., 1995) e
– até 80% de crianças com alguma dificuldade de desenvolvimento (Manikam &
Perman, 2000).
Mais de 1 milhão de crianças (dados americanos) são identificadas como tendo Dificuldade Alimentar, e milhares permanecem sem serem diagnosticadas (US. Census Data, 2010).
As Dificuldades Alimentares são frequentemente um sintoma relacionado a até 204 outros tipos de diagnóstico, como:

– Transtorno do Espectro Autista
– Paralisia Cerebral
– Doenças Cardíacas Congênitas
– Fibrose Cística
– Síndrome de Down
– Esofagite Eosinofílica
– Déficits de Crescimento
– Doenças Mitocondriais
– Prematuridade
– Refluxo Gastroesofágico

E o sofrimento continua…

Existe pouco conhecimento sobre como diagnosticar e tratar bebês e crianças com Dificuldade Alimentar. Famílias vão de médico em médico tentando descobrir o que há de errado. Nem sempre há um consenso, uma resposta única e as famílias são” desafiadas” a ajudar seus filhos com desafios alimentares.

Comer é instintivo apenas nas primeiras semanas de vida, depois disso, comer é um comportamento aprendido, por isso a intervenção precoce é fundamental.

Quando uma criança não é capaz de comer, ela pode ter dificuldades para se desenvolver cognitivamente, fisicamente e emocionalmente

Comer é a terceira prioridade do corpo, fica atrás apenas da respiração e do controle cerebral.

Comer é mais difícil do que andar ou falar

Engolir exige o uso de 26 músculos e 6 nervos cranianos

Comer é a única tarefa corporal que necessita do uso de todos orgãos e de todos os sentidos.

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Fonoaudióloga, Dra. Patrícia Junqueira | CRFa. 5567

Dados publicados originalmente aqui.

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Especialista explica quando e porque deixar de oferecer chupeta e mamadeira ao seu filhoPorque comer pode ser um desafio para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA)
All comments (3)
  • Auricelia
    07/03/2016 at 10:19 pm

    Meu filho também não mastiga é muito difícil, agora estamos fazendo tratamento com a fono.

    Reply
  • Lilian
    06/04/2016 at 11:11 pm

    Meu filho está com quase cinco anos,tem uma alimentação muito restrita e qdo come algo sólido,temos que picar em pedacos muito pequenos.caso contrário ele sente […] Read MoreMeu filho está com quase cinco anos,tem uma alimentação muito restrita e qdo come algo sólido,temos que picar em pedacos muito pequenos.caso contrário ele sente nojo e cospe .Não sei o que fazer. Read Less

    Reply
    • instituto
      @Lilian
      07/04/2016 at 8:16 am

      Olá, Lilian. Que situação difícil para você e para seu filho... Você mora em São Paulo, caso deseje fazer uma avaliação com a Dra. Patrícia, […] Read MoreOlá, Lilian. Que situação difícil para você e para seu filho... Você mora em São Paulo, caso deseje fazer uma avaliação com a Dra. Patrícia, marque no telefone 11 3044-1131. Um grande abraço, Emili Read Less

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