Ansiedade pode interferir no desejo do seu filho comer?

setembro 24, 2016

Há muitos motivos que levam à dificuldade alimentar infantil. Pode ser apenas “uma fase” de seletividade que não inspira maiores preocupações, ou mesmo um problema orgânico. Entre esses dois extremos há muitos outros fatores que podem afetar a relação de uma criança com os alimentos: como os pais abordam essa questão, como a criança responde a estímulos sensoriais, além da sua própria personalidade e temperamento. Entretanto, quando esse problema causa preocupação suficiente para levar os pais a buscar um profissional com experiência em alimentação infantil, uma das preocupações observadas é a ansiedade da criança.

Na minha experiência, crianças que demonstram ansiedade durante as refeições, também demonstram ansiedade em outros contextos. É frequente que elas sejam naturalmente cautelosas e inseguras frente a novas experiências. Crianças muito ansiosas muitas vezes também parecem mais sensíveis emocionalmente do que outras crianças da mesma idade. Faz sentido para mim que crianças mais apegadas a coisas familiares evitem novos alimentos.

“Não sabemos se há uma relação de causa e efeito. Mas estamos relativamente certos de que há uma ligação”, diz Dr. William Coperland, da Universidade de Duke, nos Estados Unidos. Outras pesquisas (Harris & Booth, 1992) sugerem que as dificuldades alimentares podem ser causadas pela ansiedade e causar ansiedade, como num círculo vicioso.

Quando sentimos ansiedade, embora ela seja uma emoção, há varias coisas que acontecem no nosso corpo que a transformam em uma experiência bastante física. Nosso coração acelera, nossa boca seca, sentimos frio na barriga. Essas sensações causadas pelos processos químicos associados com a ansiedade bloqueiam o apetite. O que faz sentido, já que quando estamos no “modo ansiedade” nosso corpo se prepara para lutar ou fugir. Assim, comer vai ser muito difícil para uma criança que sente ansiedade.

Eu ajudo pais e mães a lidar com isso oferecendo-lhes várias ferramentas e técnicas. E eles geralmente notam que essas técnicas não só ajudam as crianças com a questão da alimentação, mas que as ajudam em outros âmbitos da sua vida, conforme elas se tornam mais confiantes e resilientes. Da mesma forma, se seu filho se tornar menos ansioso à mesa, ele aprenderá a tolerar melhor os alimentos não familiares.

O primeiro passo para ajudar seu filho a ser menos ansioso diante dos alimentos é empatia. Pode ser difícil entender porque seu pequeno fica tão transtornado só de pensar em ter que comer um alimento que ele ainda não conhece… mas a ansiedade é bastante real; tentar entender as refeições do ponto de vista dele prepara o terreno para que você possa ajudá-lo.

O segundo passo é equipar seu filho com as habilidades necessárias para lidar com a ansiedade e criar um ambiente que cause o mínimo de estresse possível. Com amor e paciência você pode fazer a diferença!

Comece a trabalhar a ansiedade ANTES da refeição:
1. Diminua os estímulos

Eu sei que os eletrônicos salvam a sua vida mantendo seu filho ocupado enquanto você prepara a refeição, mas o quanto possível, tente se organizar para deixar tudo encaminhado para que você esteja com seu filho antes da refeição – os benefícios são enormes.

2. Gaste 20 minutos numa atividade calma

Você é especialista no seu filho, escolha uma atividade que ele gosta e que ele geralmente passa um bom tempo fazendo e façam aquilo juntos, imediatamente antes de comer. Isso não só vai aliviar a tensão da antecipação da refeição como vai fazê-lo se sentir que tem sua atenção plena. O que também ajuda com que ele não tente usar o momento da refeição pra chamar sua atenção.

3. Mostre a ele o que esperar

A sensação de não estar no controle é um aspecto chave da ansiedade. Será de grande ajuda se seu filho souber o que vai comer e quais as expectativas sobre esse momento. Isso é especialmente importante quando vocês forem comer em um ambiente não familiar. Por exemplo, quando forem comer fora de casa, leve seu filho de lado, explique que você vai providenciar algo que ele gosta de comer e que ele tem liberdade de deixar de lado o que não gostar. Explique onde vão vão comer, quem vai estar lá…

4. Prepare a atmosfera

O clima do momento de refeição importa muito. Tente colocar uma música calma de fundo (isso pode não ser indicado se seu filho tiver alguma questão no processamento sensorial). Se seus filhos forem grandes, você pode usar a luz de velas para criar um ambiente calmo.

5. Foque na parte social da refeição

O foco das refeições deve ser a interação social, não o que seu filho vai comer. Conversem sobre o dia de vocês, sobre o castelo das fadas no céu… sobre qualquer coisa, menos sobre o que a criança está comendo. Mesmo o menor encorajamento para comer pode ser sentido como pressão, o que vai aumentar a ansiedade.

Texto adaptado, publicado originalmente aqui.

As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo.
Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamento de profissionais da saúde.

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Qual o impacto dos pais na alimentação dos filhos?Aconteceu no Instituto | Segunda turma do Curso Visão Ampliada e Integrada do Desenvolvimento Alimentar Infantil para Fonoaudiólogos
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  • […] Às vezes, a dificuldade que seu filho tem em se juntar à família para a refeição não tem a ver com todas essas coisas […] Read More[…] Às vezes, a dificuldade que seu filho tem em se juntar à família para a refeição não tem a ver com todas essas coisas normais da idade. Pode ser que seu filho não se sinta confortável ao comer. Quando uma criança é seletiva com o que come, ela geralmente se sente ansiosa e consequentemente vai fazer o que puder para evitar esse momento (Veja aqui como a ansiedade pode afetar o desejo de comer). […] Read Less

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