Depoimento de Mãe | Como minha filha prematura retirou a gastrostomia e aprendeu a comer

novembro 17, 2017

No dia em que comemoramos o Dia Mundial da Prematuridade, nada mais significativo do que conhecer a história de um prematuro que venceu seus desafios alimentares!

Este depoimento conta a jornada alimentar da Vitória, uma prematura extrema, que chegou ao Instituto assustada e sem sorrir, depois de um longo período de UTI Neonatal.

Pouco a pouco fomos ajudando Vitória a conquistar a confiança e o conforto que precisava para poder se alimentar. Gradativamente ela foi adquirindo as habilidades necessárias para poder levar os alimentos à boca. Foi adquirindo a motivação e a curiosidade pelos alimentos, participando das refeições com suas irmãs gêmeas e aumentando seu interesse pelos alimentos.

Trabalhamos as crenças da família, seus medos e fomos passo a passo transformando-os em parceiros da jornada alimentar da Vitoria.

Hoje, após dois anos, Vitória não precisa mais da gastrostomia e é capaz de se alimentar com sua família com prazer e harmonia!

Veja o relato completo da sua mãe, uma pessoa com quem convivi esses dois anos semanalmente e que pode me ensinar, dentre outras coisas, o quanto a determinação amorosa de uma mãe pode ser decisiva para ajudar um filho a se superar.

 

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Fga. Patrícia Junqueira | CRFa. 2 – 5567

 

Depoimento de Mãe |  Como minha filha prematura retirou a gastrostomia e aprendeu a comer

Minha filha nasceu prematura às 15h do dia 3 de setembro de 2014, após 29 semanas de uma gestação quadrigemelar, pesando 625g e medindo 30cm. Somente na noite desse dia que pude conhecer a guerreira, que necessitou lutar desde o ventre pela sua vida (teve Restrição de Crescimento Intra Uterino) e não poderia ter outro nome: Vitória.

Esse era apenas o início da minha longa jornada como mãe de UTI Neonatal… Vitória precisou de inúmeros cuidados durante a sua internação, dentre eles: oxigenioterapia, transfusões de sangue, fototerapia, nutrição parenteral, alimentação por sonda, fez 4 cirurgias, medicamentos e exames a perder de vista.

Com 3 meses de vida parecia que em breve teria a tão sonhada alta hospitalar, pois estava bem e o seu maior desafio nesse momento seria aprender a mamar. Possuía uma incoordenação sucção-deglutição própria da prematuridade e iniciou os treinos com as fonoaudiólogas do hospital, mas inesperadamente começou a vomitar.

Os vômitos se tornaram frequentes, às vezes eram vários em um mesmo dia, acompanhados de muita dor e choro. Momentos de sofrimento terríveis nos quais só encontrei amparo em Deus.

Vitória permaneceu vomitando durante dois meses, restando como alternativa uma cirurgia exploratória na qual foi corrigido um vício de rotação intestinal e feita uma fundoplicatura (para tratar o refluxo gastroesofágico).

Enfim, parou de vomitar, mas desenvolveu aversão oral e recusava qualquer tentativa das fonos para mamar. Novamente uma decisão muito difícil a tomar para ter a Vitória em casa: realizar uma gastrostomia (fixação de uma sonda no estômago para alimentação).

Gastrostomia feita, a Vitória teve alta após sete meses de internação. Era o término da minha jornada como mãe de UTI Neonatal, mas o começo de uma caminhada em busca de profissionais, em especial um fonoaudiólogo, que auxiliaria minha guerreira a superar o trauma em relação à alimentação.

Estava muito feliz com a minha bebê em casa, mas os primeiros meses foram difíceis. Resumindo, Vitória passou a ter sessões de fonoterapia que não trouxeram nenhum avanço. Voltou a vomitar e a aversão piorou, perdeu peso, ficou mais retraída, chorosa e irritada.

Em mim o desânimo, a tristeza e o cansaço eram visíveis, mas jamais pensei em desistir. Deus renovou minhas forças, e em um momento que parecia ruim (Vitória precisou ir ao Pronto Socorro para recolocar a gastro que saiu) a médica do PS passou o contato da Fonoaudióloga Patrícia.

Liguei de imediato e o meu primeiro encontro com a Patrícia foi muito especial. Saí da consulta cheia de esperança e motivação. Ela utilizava a Abordagem Integrativa, que não conhecíamos até então. Patrícia  me mostrou as necessidades da Vitória, explicou que ela tinha uma hipersensibilidade oral e, o principal, me ensinou que partiria dela o desejo pela comida, nós apenas lhe daríamos o suporte necessário para que isso acontecesse naturalmente.

Assim, segui suas recomendações e compreendi que precisaria respeitar o tempo da minha filha para que pudesse superar seus medos, adquirir as habilidades necessárias e desenvolver uma relação positiva com os alimentos.

Juntas semanalmente,  percorremos um longo caminho que não foi fácil, mas a fé me manteve firme nesses dois anos de tratamento até a sua alta. A Vitória agora está livre da gastrostomia, se alimenta normalmente, é uma criança carinhosa e come de tudo com prazer.
Considero um verdadeiro milagre! Eu e minha família seremos eternamente gratos a Deus e a você Patrícia, uma profissional que trabalha com dedicação admirável e extrema competência. Parabéns pelo seu trabalho.

Taciana Schmitz mãe da Luiza, Laura e Vitória de 3 anos.

Imagem ilustrativa. Fonte: Dreamstime.

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Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamento de profissionais da saúde.

 

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Aconteceu no Instituto | X Encontro de Mães do InstitutoPara pensar | 27 nov 2017
All comments (1)
  • Carolina Schütz
    17/11/2017 at 2:39 pm

    Que história forte e com um desfecho maravilhoso! Muito emocionante! Foi sim um milagre! Parabéns a Dra. Patrícia e a essa mãe tão dedicada! Tudo […] Read MoreQue história forte e com um desfecho maravilhoso! Muito emocionante! Foi sim um milagre! Parabéns a Dra. Patrícia e a essa mãe tão dedicada! Tudo de melhor para essa bebê guerreira! Read Less

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