Depoimento de Mãe | Meu filho resistiu em comer até os 4 anos, hoje se alimenta feliz à mesa!

julho 08, 2017
  • Lucas foi um bebê que mamou no peito os 6 primeiros meses de vida de forma plena e tranquila. Mas quando iniciamos a introdução alimentar também iniciaram os problemas. Recusava papas doces e salgadas. Em princípio achávamos que era normal, uma adaptação que todas as crianças passam. Porém, o tempo foi passando e ao invés de melhorar só piorava. O momento da refeição começou a se tornar uma enorme frustração. Como eu, mãe zelosa, amorosa e presente, não conseguia alimentar meu próprio filho? Fazíamos tudo que era recomendado pela pediatra: refeições na mesa, sempre em família, variedade de alimentos saudáveis, com rotina de horário e sem substituições.

    “No desespero de ver meu bebê comer, começamos a oferecer brinquedos e distrações para que ele comesse. Aos poucos a casa toda estava suja de sopa por conta das refeições, que neste momento já tomavam 1 a 1 hora e meia, cada uma, almoço e jantar. Então, substituímos os brinquedos por um iPad e com desenho ele comia, distraído. Mas se estávamos fora de casa e sem wi-fi, já não se alimentava.”

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    E aos poucos fomos evitando festas, eventos, viagens e vida social, tanto pela restrição alimentar, quanto pelo falatório que ouvíamos. Infelizmente as pessoas acham que é fácil, apontam o dedo e criticam. A minha frustração foi tão grande, a insegurança de não estar conseguindo nutrir meu bebê, as inúmeras críticas e o isolamento social me levaram à depressão. Mas o desejo de ver meu filho feliz e bem, o instinto materno, o amor que move qualquer mãe, NUNCA deixou que eu desistisse. E iniciamos nossa jornada em busca de uma solução para este problema.

    Nossa jornada foi enorme, passamos por diversos pediatras, gastroenterologistas, fonoaudiólogas, terapeutas ocupacionais, psicólogas, chegamos a levá-lo em psiquiatra, achando que ele teria uma fobia alimentar. A cada profissional que procurávamos crescia uma enorme esperança em nós, mas infelizmente nada nos ajudava de fato e ele foi crescendo com muita, muita  dificuldade para comer.  Neste momento,  por volta de 3 anos de idade, Lucas verbalizava que comer era bobagem e que tinha medo da comida.

    Foi então que passamos por um nutrólogo infantil que começou a nos dar uma direção na vida. Explicou sobre as crianças altamente seletivas e Lucas parecia se encaixar no perfil. Nos encaminhou para uma nutricionista, que iniciou a avaliação dos alimentos que ele comia e sugeriu algumas mudanças no restrito cardápio dele. Ela identificou que ele precisava de tratamento com fonoaudiólogo com experiência em alimentação infantil e nos encaminhou para a Fga. Dra. Patrícia Junqueira. Foi então que tudo, de fato, começou a mudar.

    Quando Lucas iniciou o acompanhamento com a Patrícia ele comia uma lista de no máximo 10 itens: papa doce industrializada, sopa caseira de legumes, de carne ou frango liquidificada (e só podia ser a minha sopa, uma sopa na mesma consistência de um restaurante ele recusava), Toddynho (não aceitava outra marca), 2 tipos de biscoito doce (que se estivessem quebrados ele não comia), maçã, vitamina de frutas liquidificada, leite com Nescau e chocolate (que lógico, nunca foi ofertado com frequência).

    “Lucas vomitava inúmeras vezes durante a semana. Isso acontecia quando colocávamos algo novo no prato dele ou se a sopa não estivesse bem lisinha, sem pedaços. Chegou a vomitar algumas vezes também quando nos via comendo.  Náusea também fazia parte da nossa rotina.”

    Fomos acolhidos e recebidos com muito amor pela Pati. Na avaliação foi identificado que Lucas não tinha nenhuma dificuldade na mastigação ou deglutição, e que suas estruturas orais estavam integras. Ela nos apresentou a abordagem que utiliza (visão ampliada e integrada) e afirmou que teríamos que ajudar o Lucas a ter uma relação mais positiva com os alimentos, aproximando-o dos alimentos que já aceitava. Enfim, a Pati nos deu a esperança que precisávamos para iniciar o tratamento para nosso filho de um modo que ainda não tínhamos realizado.

    O trabalho foi iniciado incentivando Lucas a se alimentar sozinho, com os alimentos que ele já estava familiarizado. Partindo também do que ele aceitava fomos ampliando e criando conexões com novos alimentos.

    “De forma lúdica ao longo das terapias, Lucas foi aos poucos ganhando auto-confiança e segurança e percebendo que ele era capaz de comer qualquer tipo de alimento”

    lucas cupcake

     

    Saíamos sempre com uma devolutiva positiva da Pati e orientações para realizar em casa. Ela sempre ofereceu muito apoio e incentivo a mim e meu esposo,  o que para nós, foi fundamental. Além disso, no Instituto ocorrem grupos de mães aos sábados e isto me permitiu entrar em contato com outras mães que passavam pela mesma situação. Esse suporte emocional e há possibilidade de dividir minhas angustias com pessoas que entendiam minha situação foi muito produtivo. Trabalhei minhas crenças, meus medos, minhas incertezas com o apoio da equipe do Instituto. E pouco a pouco Lucas foi evoluindo, se fortalecendo, vendo que era capaz e nós pais mais firmes e seguros que estávamos o caminho certo e com a equipe certa para tratá-lo.

    “E de repente, a cena que sempre sonhei: meu filho feliz na mesa, dando risada, comendo a mesma refeição que todos nós! O sonho tinha virado realidade!”

    E após 10 meses de tratamento Lucas teve alta, comendo arroz, feijão, legumes, carne, frango, macarrão, frutas, pão, bolos e mais uma infinidade de alimentos. Ele come em qualquer lugar, restaurante, viagem, casa de amigos, sem distrações na mesa, sem náuseas, sem vômitos e sem angústias! Feliz, como deve ser! Se eu pudesse passar alguns conselhos eu diria: nunca desistam; você é a melhor mãe que seu filho poderia ter, não se cobre, você não fez nada de errado; fuja das crenças internas (por exemplo, não vou nem fazer essa comida porque ele não vai aceitar! Não vou oferecer este alimento porque ele vai vomitar; levem o momento da refeição de forma mais leve, precisamos estar bem para alimentar nosso filho e se não estiver bem, acho super válido delegar aquela refeição para outra pessoa, pai, avó, babá, seja quem for. É importante buscar uma visão ampliada e integrada no tratamento, por que o foco da dificuldade alimentar pode não pode estar só na boca.

    Boa sorte para todas as mães! Tenho certeza que cedo ou tarde vocês estarão fazendo este testemunho positivo também!

    Beijos,
    Carolina Lundberg, mãe do Lucas, de 4 anos.

    Vejam abaixo os vídeos que mostram a jornada do Lucas!

    As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo.
    Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamento de profissionais da saúde.

     

     

     

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    Como saber se se filho precisa de ajuda fonoaudiológica?

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Estamos contratando fonoaudiólogo!Seletividade ou Dificuldade Alimentar? Entenda a diferença.
All comments (1)
  • Maria Cristina Lui Nadai
    15/08/2017 at 11:04 pm

    Obrigada Carolina e ao Instituto por compartilhar esses vídeos. Meu filho iniciou a fonoterapia no Instituto há um mês, no início fez grandes avanços e […] Read MoreObrigada Carolina e ao Instituto por compartilhar esses vídeos. Meu filho iniciou a fonoterapia no Instituto há um mês, no início fez grandes avanços e hj, depois de 1 dia de recusas repetidas de comida no almoço e jantar, me tranquei no quarto para chorar e pensar no que fazer. Valer o depoimento e ver os vídeos da evolução do Lucas me trouxeram uma nova esperança! Read Less

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