Especialista explica quais cuidados você deve ter com a voz do seu filho

abril 16, 2016

Você sabia que a nossa voz é muito mais do que um som? Ela é nossa identidade, expressa nossas emoções e o modo como nos sentimos. A voz deve ser cuidada e preservada desde quando somos pequenos… Algumas ações simples podem prevenir futuros problemas como rouquidão ou lesão nas pregas vocais.

Em celebração ao Dia Mundial da Voz, 16 de abril, convidei a minha amiga e Fonoaudióloga Márcia Menezes, Especialista em voz e Coordenadora do Departamento de Voz da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia para nos contar um pouco mais sobre os cuidados que podemos ter com a voz dos nossos pequenos.

Vamos cuidar da voz do futuro, vamos cuidar das vozes das nossas crianças!

Leia a transcrição da entrevista e compartilhe se gostar!
Um grande abraço,

foto_patricia_junqueira1

Fonoaudióloga Dra. Patrícia Junqueira | CRFa. 5567

Entrevista concedida pela Fga. Márcia Menezes, Especialista em voz e Coordenadora do Departamento de Voz da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia
1. Quais os cuidados básicos para uma criança manter sua saúde vocal?

O primeiro cuidado é ter um ambiente familiar propício para uma comunicação saudável. Isso se refere ao controle do ruído ambiental, principalmente no momento de conversa, do diálogo em casa.

O segundo fator é ter um tom de voz na família que também seja moderado. Há modelos familiares inadequados, em que as pessoas acabam usando chamamentos de um ambiente para o outro, ao invés de se aproximarem para conversar. Muitas vezes utilizam o grito para se comunicarem. Para as crianças que têm irmãos, os pais precisam administrar a escuta entre eles e não incentivar a competição verbal.

Alem desses aspectos, para que a criança tenha saúde vocal, o diagnóstico aos primeiros sinais de que a voz modificou é essencial. Muito comum no público infantil é a “desvalorização” do sintoma vocal pelos pais, sendo permissivos com relação à rouquidão. Demoram muito a procurar um profissional, seja o fonoaudiólogo ou o otorrino, porque acham que “foi porque gritou um pouco no aniversário…” “é porque ele faz futebol…”, “ah, é porque ele briga com o irmão…”, então ele fica rouco e é assim mesmo. Portanto é fundamental que a rouquidão na criança não seja negligenciada, porque ela é um dos sinais mais fortes que algo não está bem e que a laringe dessa criança não está saudável.

Cuidar quando há doença respiratória (alergias e doenças respiratórias) e ou presença de refluxo gastroesofágico é essencial também. Ambos podem predispor à ocorrência de alterações na voz.

2. A criança pode ter problema de voz? Com qual frequência, qual a principal causa e quais os tipo de tratamentos mais comuns?

Sim, as crianças podem ter problemas de voz. De 5% a 8% da população mundial têm algum tipo de problema vocal, inclusive as crianças. As principais causas são comportamentais. Geralmente o comportamento vocal inadequado da criança vem acompanhado de um comportamento vocal inadequado da família ou da escola, que faz com que essa criança utilize este recurso de comunicação de uma maneira muito exacerbada causando uma disfonia (alteração na voz). Os tratamentos mais comuns são a fonoterapia e a utilização de medicamentos, quando existem problemas respiratórios ou gástricos associados.

O primeiro passo quando se observa uma alteração na voz da criança é procurar um médico otorrinolaringologista para que se faça o diagnóstico (muitas vezes com o uso de exames como nasofibroscopia), e depois procure um fonoaudiólogo, tendo ou não um encaminhamento médico. Porque o fonoaudiólogo é quem vai ter a competência, a capacidade técnica pra avaliar os aspectos de comunicação dessa criança. Voz faz parte do processo de comunicação global da criança, então é o fonoaudiólogo quem vai identificar como todo esse aparato comunicativo está funcionando e identificar quais aspectos vocais que estão realmente necessitando de intervenção.

3. Se o bebê tiver um choro rouco, devo me preocupar? Isso é algum sinal de que sua voz será rouca?

Vozes levemente roucas em bebês podem ser por conta de um choro intenso. Nesse comecinho da vida, não têm como intervir, a conduta é observar e acompanhar porque a rouquidão tende a desaparecer conforme o choro vai diminuindo.

Podem ocorrer também problemas congênitos como pequenos cistos, sulcos ou alterações estruturais mínimas na laringe. Nesses casos observa-se um choro ruidoso e uma voz mais grave. Sempre é importante buscar auxílio de um fonoaudiólogo que saberá fazer o diagnóstico, identificando quando a presença da voz mais grave na criança é ou não um problema.

4. Quais os principais motivos que podem afetar a voz de uma criança?

Um ambiente familiar e escolar desfavoráveis, bem como a própria personalidade da criança. Personalidades mais impositivas, com características de liderança ou controladoras, podem ter uma voz também com uma sobrecarga maior. Essas crianças podem utilizar a voz para dominar o ambiente, chamando atenção pelo verbal.

Tanto o modelo familiar quanto escolar podem impactar na voz infantil, principalmente até os 7 ou 8 anos de idade. Isso porque algumas crianças seguem o modelo vocal de professores que falam em forte intensidade, que têm uma voz disfônica (alterada), e ou que são mais impositivos. A criança que escuta um modelo negativo e inadequado pode reproduzi-lo.

Um ponto muito importante também e que não deve ser esquecido é como as crianças usam a voz enquanto se divertem. Principalmente meninos que brincam com os bonecos, carrinhos e aviões… Eles costumam fazer muitos ruídos vocais e esses ruídos podem ser prejudiciais para a saúde da laringe, porque são muito agressivos, causando impacto entre as pregas vocais (cordas vocais). Geralmente são imitações muito forçadas. Por exemplo: imitam dinossauro, a voz do monstro, etc. Quando isso é frequente, a criança pode ficar rouca depois desse momento lúdico. Em fonoterapia trabalhamos com a criança dentro desse lúdico, escolhendo uma voz que seja mais saudável para o brincar.

5. Como se previne um problema vocal na infância?

Com um ambiente familiar propício para a comunicação, com uma família com boa escuta para a criança e que propicie um modelo de fala adequado, tanto em intensidade quanto em velocidade.

marcia_menezes_dpt_voz

Fonoaudióloga Márcia Menezes, Especialista em voz e Coordenadora do Departamento de Voz da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia.

Facebooktwittergoogle_pluspinterestlinkedinmail
Leave a reply
Você está convidado! – 16 de abril de 2016 | Exposição do artista Lucas Ksenhuk e Oficina de Escultura com AlimentosDia de festa, cores, aromas, texturas e muita arte na comemoração de 1 ano do Instituto de Desenvolvimento Infantil!

Leave Your Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *