O que você precisa saber ao julgar como uma mãe alimenta seu filho

outubro 22, 2016

Eu já fui essa mãe. Dá vergonha admitir agora, mas eu já fui a mãe que silenciosamente julga os pais da criança comendo batata frita. O que eles têm na cabeça? Eles não sabem que esse tipo de alimento não tem nenhum valor nutricional e que eles não estão dando ao seu filho o que ele precisa para crescer? E mais, que ao deixá-lo comer esse tipo de porcaria eles estão predispondo seu filho a uma vida inteira de maus hábitos? Eles não enxergam? Eles não se importam?

Sim, eu já fui essa mãe. E eu me sinto culpada por isso…

A questão é que a maioria e nós – mesmo sabendo que não devemos – já reprovamos o que outros pais fazem ou deixam de fazer com seus filhos. Mas o que você precisa saber, ou nós precisamos saber, é que julgar a maneira como outras mães alimentam seus filhos é uma completa perda de tempo. Além de ser injusto porque nunca saberemos o que aquela mãe vive. Nunca saberemos o que a levou a oferecer para filho dela algo que você reprova. E nós nunca saberemos como nós reagiríamos naquela mesma situação com nossos próprios filhos.

Isso é exatamente o que aconteceu comigo. Em termos de alimentação, eu já tinha tudo planejado: eu ia ser a mãe que criaria os filhos sem açúcar, comendo só alimentos orgânicos e zero processados. Eu tinha meu processador de alimentos pronto, e já tinha começado um painel no Pinterest cheio de ideias de receitas saudáveis que iriam substituir barras de cereais, misturas para bolos e biscoitos comprados. Eu ia fazer as coisas do jeito certo! Como aquelas mães podiam criar seus filhos daquele jeito? Com certeza elas não estavam dando o seu melhor. Porque se elas estivessem, elas estariam alimentando seus filhos do “jeito certo” – ou seja, do meu jeito.

Ou pelo menos… do jeito que eu tinha planejado, em toda a minha autossuficiência e arrogância. Não havia muito tempo que eu tinha entrado nessa vida de mãe quando a minha mania de apontar o dedo me pegou. Não lembro exatamente quando a desconstrução da minha ilusão da nutrição perfeita começou… Não sei se foi quando a minha filha começou a recusar todas as misturas de papinha de bebê que eu fazia pra ela ou se foi um ano depois, quando ela provou a minha quinta tentativa de fazer um bolinho saudável, teve náusea e cuspiu tudo. O mais provável é que eu tenha caído na real e abandonado meus padrões rígidos (e imaginários!) de alimentação para os meus filhos quando o pediatra nos avisou que minha filha continuava a descer abaixo da sua curva de percentil de peso, mesmo com a gente tentando desesperadamente alimentá-la com coisas saudáveis. Ela já estava na curva do percentil 5% e ainda estava usando roupas tamanho 24 meses – isso já perto de fazer 3 anos.

Mais uma vez, julgar como uma mãe alimenta seus filhos é uma completa perda de tempo, além de muito injusto – porque você não conhece a história toda!

E não parou aí. Bem nessa época eu estava grávida e estava sendo empurrada pela minha barriga na direção da depressão e da ansiedade. O que me fazia escolher bem pelo que brigar e ser esperta o suficiente para guardar energia para lutar quando existia uma chance real de vitória.

A questão é, quando uma pessoa que não me conhecia, olhava para mim e para o meu filho comendo batata frita e imediatamente me julgava como alguém que não se importava com a a saúde do filho, mal podia imaginar que eu estava naquele momento sendo a melhor mãe que eu conseguia ser. E sabe o que mais? Está todo mundo muito bem comendo coisas que eu jurava que não comeriam nunca.

Você, provavelmente, vai acabar – uma vez ou mais – dando para seu filho alimentos que você reprovaria ao ver outros pais dando aos seus filhos. Isso vai acontecer. Por causa das circunstâncias, vai fazer sentido pra você. Então, lembre-se, pode ser que você esteja vendo aquela mãe, em circunstâncias que tornam aquilo aceitável.

Economize a energia de julgar os outros e de se sentir culpada. Criação de filhos não é uma ciência exata e quanto mais compassiva você for com as pessoas quando elas não atingirem os padrões de pai e mãe ideais, mais compassiva também conseguirá ser com você mesma, numa situação como essa!

Texto adaptado, publicado originalmente aqui.

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