Porque você não deve chamar seu filho de "difícil pra comer"!

agosto 27, 2016

Quantas vezes seu filhou já ouviu você dizendo, “O João é difícil pra comer ou “o João é chato para comer”? Estes são exemplos de declarações têm a capacidade de moldar a identidade de uma criança. Num contexto geral, isso pode parecer um detalhe, mas um rótulo é algo importante. Quando você fala algo que molda a identidade do seu filho, você pode estar limitando a visão que ele tem de si mesmo. Por isso, queremos começar um movimento para eliminar este tipo de rótulo!

Pode ser que crianças que não comem uma grande variedade de alimentos tenham uma dificuldade alimentar como consequência de algum problema de saúde. Ou apresentem dificuldades para comer alguns alimentos por conta do sabor, da textura ou da aparência desses alimentos.

Mas a questão é a seguinte: nós não rotulamos nossos filhos como “o Jõao de cabelo curto”, porque esperamos que esta condição possa mudar. Entretanto, podemos dizer que “João é ruivo”, porque a cor do cabelo é uma condição relativamente permanente.

O Joaozinho não é atlético
Sara não é inteligente
O Jeremias não é engraçado

Nós sabemos que é errado rotular as crianças desta forma, mas “O João é chato pra comer” passa…

Pensamentos facilmente viram realidade. Eu vejo este padrão o tempo todo. Encontro pais, professores e pediatras que vêem a criança como “difícil para comer” e a criança adota aquela identidade.

Eu sou difícil para comer
Eu não gosto de comer
Eu só como porcaria
Eu não como esse tipo de comida
Meu irmão experimenta a comida, mas eu, não
Eu vou comer isso quando eu crescer
Onde está a minha comida?? Isso é para adultos

Rotular a criança com uma característica faz com que esta característica se torne dominante e todas as outras fiquem em segundo plano. É difícil mudar, uma vez que sua identidade está estabelecida.

A aceitação geral do termo “enjoado pra comer” é prejudicial para o desenvolvimento dos hábitos alimentares das nossas crianças. Elas se fecham nessa idéia e esta condição se sedimenta. E então, a maneira como eles comem hoje, se torna a maneira como comerão amanhã. A mudança se torna muito difícil… Converse com qualquer adulto que era seletivo para comer ou que tinha dificuldades na alimentação quando criança. Eles quase sempre têm uma ou duas histórias pra contar…

Uma coisa que você pode fazer, é conversar com seu filho sobre suas preferências e como essa condição pode ser temporária. Ensinar às crianças que passar por uma fase de seletividade ou dificuldade para se alimentar não os torna “difíceis para comer” pra sempre é uma lição poderosa!

Lembre-se:
1. A pessoa é mais importante que sua condição/deficiência
2. Enfatize o valor do indivíduo
3. Mostre que todos podemos mudar

E então, ensine às crianças o que elas precisam para aprenderem a comer melhor. Para começar, deixe de lado a idéia de fazer com que as crianças comam novos alimentos. Ao invés disso, pense em “explorar” novos alimentos com eles, como um experimento científico. Trabalhe para fazer com que as crianças se tornem confortáveis ao explorar novos alimentos, em termos de sabor, textura, aroma, aparência, temperatura e até “som”. Crianças que se tornam confortáveis em explorar alimentos, podem se tornar “bons gourmets”.

Texto adaptado, publicado originalmente aqui.

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