Qual o impacto dos pais na alimentação dos filhos?

setembro 18, 2016

No post de hoje, nossa nutricionista Dyandra Loureiro responde algumas perguntas sobre como as decisões dos pais podem afetar o comportamento alimentar dos seus filhos. Veja como você também pode ajudar os seus!

Qual a influência dos pais na formação de hábitos alimentares das crianças? 

Os pais possuem papel fundamental neste processo. Durante a infância os hábitos alimentares são consolidados, por isso estimular uma alimentação saudável desde cedo é um ganho para toda vida. Podem influenciar positivamente das seguintes maneiras:
– Ser bom exemplo, ou seja, ter uma rotina alimentar saudável, diversificada e balanceada
– Reunir a família (sempre que possível) no momento das refeições
– Monitorar e controlar o tempo gasto na frente de televisores, tablets, celulares, computadores, etc
– Determinar o que a criança levará de lanche para a escola ou verificar o que a escola fornece, bem como sugerir mudanças pertinentes no cardápio escolar
– Determinar o que será comprado para casa bem como a forma de preparo dos alimentos, preferindo as formas saudáveis e nutritivas

Quais hábitos devem ser evitados? Por quê? 

Listo abaixo alguns itens:
– Deixar que a criança determine a rotina alimentar, inclusive local, horário das refeições e duração das mesmas
– Abusar da compra e oferta de alimentos ultraprocessados, tornando-os rotina na alimentação da família
– Preparar alimentos de maneira inadequada (fritura, uso de temperos prontos, excesso de óleo, etc.)
– Variar pouco a alimentação e/ou limitar-se apenas àquilo que a criança aceita. A criança precisa habituar-se a conhecer novos alimentos, entrar em contato com diferentes sabores, cheiros e texturas

Muitos pais, no intuito de criar hábitos alimentares saudáveis em seus filhos acabam agindo de forma enérgica no momento das refeições. Quais são as consequências dessa atitude para a criança? Podem levar à criança a desenvolver traumas? 

Com certeza isto pode trazer consequências negativas! É normal que, durante a formação do hábito alimentar, a criança não aceite novos alimentos prontamente. Isso é chamado de neofobia: medo do novo. Para que ela passe a aceitar a novidade, é necessário que ela experimente o mesmo alimento em torno de 8-10 vezes, mesmo que em quantidades muito pequenas e de maneiras diferentes (por exemplo a cenoura: cenoura crua e ralada, cenoura cozida em rodelas, bolo de cenoura, suflê de legumes, cenoura baby, bife à role com cenoura, picadinho ou carne de panela com cenoura, etc.). Só assim a criança conhecerá o sabor e estabelecerá o padrão de aceitação. Lembrando que, se nem nós gostamos de todos os alimentos, ela também apresentará suas aversões e isso precisa ser respeitado. Forçar pode aumentar ainda mais a repulsa àquele alimento. Além disso, forçar a ingestão de um volume alimentar (“raspar o prato”) pode fazer com que a criança não desenvolva as noções do que é saciedade/fome, contribuindo para o aumento de peso futuro e obesidade.

Da mesma forma, quais são as consequências de os pais cederem a todas as vontades dos filhos em relação à alimentação?

Criança precisa de rotina e ela só compreende a rotina alimentar ao longo de seu crescimento e desenvolvimento. Essa certa disciplina precisa ser demonstrada pelos pais e deve existir em todas as atividades que desempenham, seja na alimentação ou estudo, por exemplo. No que diz respeito á alimentação, é importante que fique bem claro o conceito de divisão de responsabilidades. Os pais são responsáveis pela comida oferecida, quando e onde elas são oferecidas. Já as crianças, decidem quanto e se devem comer ou não.

Qual a importância de os pais também se alimentarem de forma saudável e não apenas exigir que isso seja feito pelas crianças?

Crianças aprendem e constroem hábitos por observação e imitam seus principais exemplos, seus pais. Isto acontece não somente com a alimentação.

Levar as crianças para fazer compras é uma atitude positiva? Como torná-la um momento de aprendizado? 

Com certeza. Quando a criança entre em contato com novos formatos, cheiros, texturas, aproximamos a relação dela com o alimento a princípio desconhecido. Isto facilita a aceitação em um passo seguinte: experimentar. Durante a compra os pais podem falar sobre a cor daquele alimento, comparar o sabor com algo que a criança já conheça ou já tenha consumido, se a criança for mais velha podem citar alguns benefícios, etc.

Em quais casos camuflar alimentos, como verduras e legumes sem que a criança perceba é saudável?

Quando falamos em formação de hábito alimentar saudável, o ideal não é esconder os alimentos, mas sim estimular o consumo destes, algo que pode manter-se por toda a vida. Camuflar ou esconder resolve apenas o problema da não aceitação de forma pontual. O ideal é envolver as crianças no processo de escolha e preparo das refeições e utilizar os alimentos recusados de uma maneira diferente daquela que normalmente está habituada. Desconstruir este medo ou essa barreira que existe. Uma vez que aquele item foi aceito, a criança passa a enxergar que existem outras possibilidades e perde o medo de experimentar novos alimentos. Não é de uma hora pra outra, mas sim um treino diário. Caso os pais estejam muito inseguros, devem procurar a ajuda de especialistas que auxiliarão na execução desta tarefa, tornando-a muito mais eficaz e menos traumática.

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Nutricionista Dyandra Loureiro | CRN 34980

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