Será que respirar pela boca pode afetar como seu filho come?

fevereiro 01, 2016

Você já parou para pensar em como seu filho respira? Já observou se ele mantem os lábios fechados quando está assistindo TV, brincando ou mesmo comendo?

Você acha que o modo dele respirar pode impactar no modo como ele se alimenta? 

Nesse mês daremos atenção especial as questões da Motricidade Orofacial que impactam no desenvolvimento Infantil. (*No final do post você vai entender porque!)

Possuímos um sistema chamado estomatognático composto pelos ossos da face, musculatura orofacial, arcada dentária, articulação temporo-mandibular, etc que funciona em conjunto e que realiza funções como respirar, falar, sugar, mastigar, deglutir, etc. também em sintonia.

Quando um bebê nasce a termo e com condições neurológicas e anatômicas adequadas é capaz de sugar no seio materno, utilizando os órgãos desse sistema (lábios, língua, bochechas, mandíbula, etc). Ao realizar esse ato, para extração do leite materno, ele necessita respirar pelo nariz e coordenar as funções de sucção, respiração, e deglutição.
Fisiologicamente a respiração é nasal.

O bebê até aproximadamente 6 meses não sabe respirar pela boca. O ato de respirar pela boca é aprendido quando há algum impedimento de passagem aérea nasal. Portanto a respiração deve ser nasal para que possa promover filtragem, aquecimento e umidificação necessária ao ar inspirado, além de promover estimulo adequado as estruturas orais coadjuvantes. Caso seja oral ou oronasal a respiração certamente trará alterações diversas, principalmente na fase de crescimento da criança.

As causas mais frequentes da respiração oral podem ser: aumento das tonsilas (amigdalas/adenóides), flacidez da musculatura orofacial, alergias respiratórias (rinites), desvio de septo nasal etc.

É fundamental o mais precoce possível, que essas causas sejam diagnosticadas para que se possa oferecer um tratamento eficaz, minimizando-se com isso as consequências da respiração oral.

As consequências vão depender, portanto da etiologia (causa), da duração e época em que a criança iniciou a respiração oral. É importante que você conheça quais são as principais características apresentadas por quem respira pela boca.

A face do respirador oral é muito característica: boca aberta, língua na arcada inferior ou entre os dentes, bochechas com aspecto de caídas, olheiras, flacidez de toda musculatura da face, lábios ressecados, má oclusão dentaria, palato (céu da boca) estreito e profundo. É frequente, ainda, o aparecimento de cáries devido a secura na boca, causada pela passagem do ar.

O respirador oral normalmente tem preferência por alimentos macios e moles, e costuma beber liquido junto com os alimentos. Isso acontece em decorrência da dificuldade para mastigar. A mastigação nessas crianças costuma ser bem alterada: com lábios abertos, rápida, ruidosa e desordenada. Isso ocorre porque, como a criança não consegue respirar pelo nariz, é obrigada a manter os lábios abertos, durante a mastigação, para também respirar. Nesta competição, a respiração, indiscutivelmente, vence; daí a preferência por alimentos que facilitem a mastigação e líquidos que ajudem na deglutição destes.

Conheça as outras possíveis consequências da respiração oral:

– Rendimento físico e escolar diminuídos por dormirem mal (quando há obstrução nasal), e por haver uma menor oxigenação, quando se respira pela boca, as trocas gasosas (gás carbônico/oxigênio) são mais rápidas, podendo prejudicar a oxigenação necessária;
– Crescimento físico diminuído: decorrente de má alimentação;
– Alterações na postura corporal: alguns autores descrevem que são frequentes alterações posturais, secundarias a compensações realizadas para facilitar a respiração;
– Alterações de fala: geralmente provenientes das deformidades dos dentes e da face;
– Otite (inflamação do ouvido): Normalmente acompanha um quadro de hipertrofia (aumento) de adenoide, podendo levar a uma diminuição temporária da audição;
– Ronco noturno e excesso de baba no travesseiro: estando a criança com algo (rinite alérgica intensa, adenoide muito grande etc.) que impeça sua respiração pelo nariz, esta tem que manter a boca aberta para aumentar a passagem do ar. (favorecendo o ronco) e, com isso, mantém mais tempo a respiração do que a deglutição, ocorrendo a presença de baba.

Devido a todas essas possíveis consequências, o respirador oral necessita de um tratamento multiprofissional precoce. O médico ira diagnosticar e tratar a causa da respiração oral, o fonoaudiólogo ira auxiliar o paciente a reaprender a respirar pelo nariz, fortalecendo seus músculos da face e adequando possíveis alterações na mastigação, deglutição, voz e fala. O ortodontista ira corrigir as alterações dentárias e em alguns casos o fisioterapeuta colaborará para reeducar a postura corporal do indivíduo.

Caso seu filho apresente alguns dos sintomas descritos nesse texto, converse com seu pediatra e procure um Fonoaudiólogo Especialista em Motricidade Orofacial, ele saberá como te ajudar.

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Fonoaudióloga Dra. Patrícia Junqueira | CRfa. 2 – 5567

Especialmente esse mês, celebramos o lançamento do Dia Mundial da Motricidade Orofacial, no dia 17 de fevereiro.  Motricidade Orofacial é o campo da Fonoaudiologia voltado para o estudo, pesquisa, prevenção, avaliação, diagnóstico, desenvolvimento, habilitação, aperfeiçoamento e reabilitação dos transtornos congênitos ou adquiridos do sistema miofuncional orofacial e cervical assim como suas funções tais como sucção, mastigação, deglutição, respiração e fonoarticulação desde a gestação até o envelhecimento (Resolução CFFa nº 320, 2006; e Departamento de Motricidade Orofacial da SBFa, 2013).

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