A Metodologia
10 princípios que guiam a Abordagem Responsiva para Dificuldades Alimentares — uma visão além da boca e do estômago.
Para querer comer, a criança precisa estar pronta
É necessário compreender o desenvolvimento infantil de maneira global para diagnosticar e tratar qualquer dificuldade alimentar. Não adianta olhar para um sintoma, procurando resolvê-lo.
Devemos observar o estado físico, o amadurecimento fisiológico e cognitivo, a família, o ambiente ao redor, os pensamentos da criança, o que ela está sentindo e como reage. Todos esses aspectos são importantíssimos — porque estão conectados entre si.
Equipe Transdisciplinar
Fonoaudiologia, terapia ocupacional, nutrição, psicologia — trabalhando de forma integrada e sempre ao lado da família.
Os 10 Princípios
Cada princípio é uma peça essencial da abordagem que transforma a relação das crianças com a alimentação.
A criança precisa estar bem fisicamente
A recusa alimentar, por si só, já é um sintoma que deve ser investigado do ponto de vista orgânico. Às vezes, a criança apresenta outra condição clínica que ainda não foi diagnosticada e que agrava a dificuldade para se alimentar. Ninguém faz uma criança comer — ela precisa estar pronta para isso.
Corpo e mente são uma unidade
O comportamento alimentar de uma criança é uma forma de comunicação. Ela pode estar dizendo que não está confortável com aquele alimento, com a situação da refeição, ou expressando que algo mais não está bem. Aspectos físicos, sensoriais, emocionais e comportamentais têm o mesmo peso e estão conectados entre si.
A alimentação envolve um relacionamento
A alimentação é o primeiro vínculo entre mãe e filho. A dificuldade alimentar se torna um problema especialmente forte para a mulher, que imagina não ser boa o suficiente se não consegue nutrir o próprio filho. Na realidade, nem tudo está em suas mãos — e compreender isso é libertador.
A família inteira precisa estar envolvida
A família é parte integrante do tratamento e agente fundamental no processo. Os pais precisam seguir as orientações, fazer ajustes na rotina, privilegiar as refeições em família e dividir responsabilidades. O engajamento de todos é fundamental e recompensador.
Comer é um comportamento aprendido
Envolve todo o sistema sensorial, todos os nossos sentidos e órgãos. Para mastigar e engolir, a criança precisa ter desenvolvido habilidade para identificar formato, textura e temperatura do alimento, além de coordenar respiração com deglutição. Nosso trabalho é ajustar entre idade cronológica, conforto sensorial e habilidade motora-oral.
A refeição em família
As refeições devem se tornar momentos lúdicos, de descoberta, inclusive do prazer que é estar perto dos pais. Enquanto alimenta o filho, a mãe pode mordiscar algo junto. A criança pode ficar no cadeirão ao lado dos adultos. Todos ganham com essa vivência emocional do comer.
Confiança, afeto e respeito
Respeitar é acolher as dificuldades e entender o que ainda é mais desafiador para cada criança. Compreender que ela tem seus motivos para sentir medo diante de um prato e, se for o caso, deixar que ela cuspa o que está em sua boca. Isso cria a segurança e tranquilidade necessárias para avançar.
Uma atmosfera relaxada é fundamental
Lançamos mão de música e outras estratégias para diminuir o estresse e o medo. Logo no início de uma sessão, precisamos baixar a agitação trazida do mundo externo. Queremos que a criança se sinta motivada de dentro para fora — pressões e nervosismo nunca ajudam ninguém a aprender algo novo.
Alimentos conforme o interesse e preferências sensoriais
O papel do terapeuta não é dar comida, mas aproximar a criança dos alimentos para que, aos poucos, ela aceite mudanças conforme seu desenvolvimento sensorial e habilidade motora-oral. A família sempre deve estar por perto, em uma parceria sem medo, culpas ou angústias.
A mudança do comportamento alimentar é compartilhada
A família não só recebe orientações sobre o que fazer em casa como todo o suporte — de informação e emocional. Damos as condições para que ela participe ativamente da jornada, porque sabemos que ela só terá sucesso se for compartilhada. Algumas mães podem precisar de suporte individual com psicoterapeuta.
"Todo o nosso trabalho é para que a criança se sinta bem, confortável e segura ao se alimentar. Problemas comportamentais e orgânicos devem ser compreendidos e cuidados de maneira integrada."
Dra. Patrícia Junqueira
Fonoaudióloga · Pioneira no Brasil na abordagem Responsiva e Sistêmica
Na hora das refeições
Orientações práticas para as famílias transformarem o momento da refeição.
À mesa, em família
A criança deve ser alimentada de preferência à mesa, com a família — não no sofá ou mesinhas isoladas.
Sem distrações
Se a criança só come distraída, remova gradativamente tudo que tira a atenção dos alimentos.
Pensamentos importam
Quem cuida da criança deve prestar atenção nos próprios pensamentos. Ideias como 'ele não vai comer' atrapalham.
Comunicação positiva
Todas as falas e formas de comunicação durante a refeição devem estimular a curiosidade pelos alimentos.
Alimentos visíveis
A criança precisa enxergar os alimentos — até mesmo os pratos da família que ela não vai consumir.
Favoreça a autonomia
Permita que a criança tenha seu próprio prato e explore os alimentos com as mãos, ao seu ritmo.
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Cada criança é única. Agende uma avaliação para que possamos compreender a história do seu filho e traçar o melhor caminho — com ciência, respeito e muito amor.