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Abordagem Responsiva · Dra. Patrícia Junqueira

A Metodologia

10 princípios que guiam a Abordagem Responsiva para Dificuldades Alimentares — uma visão além da boca e do estômago.

Para querer comer, a criança precisa estar pronta

É necessário compreender o desenvolvimento infantil de maneira global para diagnosticar e tratar qualquer dificuldade alimentar. Não adianta olhar para um sintoma, procurando resolvê-lo.

Devemos observar o estado físico, o amadurecimento fisiológico e cognitivo, a família, o ambiente ao redor, os pensamentos da criança, o que ela está sentindo e como reage. Todos esses aspectos são importantíssimos — porque estão conectados entre si.

Equipe Transdisciplinar

Fonoaudiologia, terapia ocupacional, nutrição, psicologia — trabalhando de forma integrada e sempre ao lado da família.

Os Fundamentos

Os 10 Princípios

Cada princípio é uma peça essencial da abordagem que transforma a relação das crianças com a alimentação.

01
Saúde em primeiro lugar

A criança precisa estar bem fisicamente

A recusa alimentar, por si só, já é um sintoma que deve ser investigado do ponto de vista orgânico. Às vezes, a criança apresenta outra condição clínica que ainda não foi diagnosticada e que agrava a dificuldade para se alimentar. Ninguém faz uma criança comer — ela precisa estar pronta para isso.

02
Visão integral

Corpo e mente são uma unidade

O comportamento alimentar de uma criança é uma forma de comunicação. Ela pode estar dizendo que não está confortável com aquele alimento, com a situação da refeição, ou expressando que algo mais não está bem. Aspectos físicos, sensoriais, emocionais e comportamentais têm o mesmo peso e estão conectados entre si.

03
Vínculo afetivo

A alimentação envolve um relacionamento

A alimentação é o primeiro vínculo entre mãe e filho. A dificuldade alimentar se torna um problema especialmente forte para a mulher, que imagina não ser boa o suficiente se não consegue nutrir o próprio filho. Na realidade, nem tudo está em suas mãos — e compreender isso é libertador.

04
Engajamento familiar

A família inteira precisa estar envolvida

A família é parte integrante do tratamento e agente fundamental no processo. Os pais precisam seguir as orientações, fazer ajustes na rotina, privilegiar as refeições em família e dividir responsabilidades. O engajamento de todos é fundamental e recompensador.

05
Desenvolvimento motor e sensorial

Comer é um comportamento aprendido

Envolve todo o sistema sensorial, todos os nossos sentidos e órgãos. Para mastigar e engolir, a criança precisa ter desenvolvido habilidade para identificar formato, textura e temperatura do alimento, além de coordenar respiração com deglutição. Nosso trabalho é ajustar entre idade cronológica, conforto sensorial e habilidade motora-oral.

06
Momento de conexão

A refeição em família

As refeições devem se tornar momentos lúdicos, de descoberta, inclusive do prazer que é estar perto dos pais. Enquanto alimenta o filho, a mãe pode mordiscar algo junto. A criança pode ficar no cadeirão ao lado dos adultos. Todos ganham com essa vivência emocional do comer.

07
Base do tratamento

Confiança, afeto e respeito

Respeitar é acolher as dificuldades e entender o que ainda é mais desafiador para cada criança. Compreender que ela tem seus motivos para sentir medo diante de um prato e, se for o caso, deixar que ela cuspa o que está em sua boca. Isso cria a segurança e tranquilidade necessárias para avançar.

08
Sem pressão, sem medo

Uma atmosfera relaxada é fundamental

Lançamos mão de música e outras estratégias para diminuir o estresse e o medo. Logo no início de uma sessão, precisamos baixar a agitação trazida do mundo externo. Queremos que a criança se sinta motivada de dentro para fora — pressões e nervosismo nunca ajudam ninguém a aprender algo novo.

09
Respeito ao ritmo da criança

Alimentos conforme o interesse e preferências sensoriais

O papel do terapeuta não é dar comida, mas aproximar a criança dos alimentos para que, aos poucos, ela aceite mudanças conforme seu desenvolvimento sensorial e habilidade motora-oral. A família sempre deve estar por perto, em uma parceria sem medo, culpas ou angústias.

10
Jornada em família

A mudança do comportamento alimentar é compartilhada

A família não só recebe orientações sobre o que fazer em casa como todo o suporte — de informação e emocional. Damos as condições para que ela participe ativamente da jornada, porque sabemos que ela só terá sucesso se for compartilhada. Algumas mães podem precisar de suporte individual com psicoterapeuta.

"Todo o nosso trabalho é para que a criança se sinta bem, confortável e segura ao se alimentar. Problemas comportamentais e orgânicos devem ser compreendidos e cuidados de maneira integrada."

Dra. Patrícia Junqueira

Dra. Patrícia Junqueira

Fonoaudióloga · Pioneira no Brasil na abordagem Responsiva e Sistêmica

Na hora das refeições

Orientações práticas para as famílias transformarem o momento da refeição.

À mesa, em família

A criança deve ser alimentada de preferência à mesa, com a família — não no sofá ou mesinhas isoladas.

Sem distrações

Se a criança só come distraída, remova gradativamente tudo que tira a atenção dos alimentos.

Pensamentos importam

Quem cuida da criança deve prestar atenção nos próprios pensamentos. Ideias como 'ele não vai comer' atrapalham.

Comunicação positiva

Todas as falas e formas de comunicação durante a refeição devem estimular a curiosidade pelos alimentos.

Alimentos visíveis

A criança precisa enxergar os alimentos — até mesmo os pratos da família que ela não vai consumir.

Favoreça a autonomia

Permita que a criança tenha seu próprio prato e explore os alimentos com as mãos, ao seu ritmo.

Alimentar é uma Jornada de Amor

Quer entender como a Abordagem Responsiva pode ajudar sua família?

Cada criança é única. Agende uma avaliação para que possamos compreender a história do seu filho e traçar o melhor caminho — com ciência, respeito e muito amor.